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legislacao 11 min de leitura

Aviso prévio da babá em 2026: trabalhado ou indenizado, cálculo proporcional por ano de serviço e registro no eSocial

Entenda o aviso prévio da babá: 30 dias + 3 por ano (máx. 90), diferença entre trabalhado e indenizado, redução de jornada e como registrar no eSocial em 2026.

Atualizado em
RF

Rodrigo Freitas

Engenheiro (UNESP) · Cofundador de fintech · 20+ anos em tecnologia

Mãe brasileira na mesa da cozinha revisando documentos de rescisão trabalhista ao lado de calculadora e notas de real
Aviso prévio mal calculado é uma das causas mais comuns de ação trabalhista no emprego doméstico

30 dias de base, mais 3 dias por cada ano que a babá trabalhou na sua casa, até o limite de 90 dias. Essa é a regra do aviso prévio para babás e empregadas domésticas no Brasil em 2026. Se a sua babá trabalhou 5 anos, o aviso prévio é de 45 dias — no salário mínimo de R$ 1.621, isso dá R$ 2.431,50 de aviso indenizado. Errar esse cálculo é uma das formas mais rápidas de receber uma notificação trabalhista.

O aviso prévio é regulado pelo artigo 23 da Lei Complementar 150/2015, a lei que rege o trabalho doméstico, em conjunto com a Lei 12.506/2011, que criou a proporcionalidade. O problema é que o eSocial não calcula o aviso proporcional automaticamente — o empregador precisa fazer a conta antes de registrar o desligamento. E muita gente erra.

Este artigo explica tudo: os dois tipos de aviso prévio, como calcular o proporcional, quem paga quem em cada cenário, os direitos de redução de jornada e o passo a passo no eSocial.

O que é o aviso prévio e quando ele se aplica

O aviso prévio é a comunicação antecipada de que o contrato de trabalho vai ser encerrado. Pode partir do empregador (demissão) ou da babá (pedido de demissão). A ideia é simples: dar tempo para a outra parte se preparar — a família para encontrar uma substituta, a babá para buscar outro emprego.

Ele se aplica a toda babá com carteira assinada, ou seja, que trabalha 3 ou mais dias por semana na mesma casa. Diaristas (até 2 dias por semana) não têm vínculo CLT e, portanto, não têm direito a aviso prévio.

O aviso prévio pode ser cumprido de duas formas: trabalhado (a babá continua trabalhando durante o período) ou indenizado (o empregador paga o valor equivalente e dispensa a babá imediatamente). Cada modalidade tem regras diferentes — e a escolha muda o custo e o prazo da rescisão.

Aviso prévio trabalhado vs indenizado

A primeira decisão que o empregador precisa tomar é: a babá vai continuar trabalhando durante o aviso ou vai embora agora? Essa escolha define tudo — custo, prazo de pagamento e direitos da babá durante o período.

Comparação entre aviso prévio trabalhado e indenizado: duração, redução de jornada, custo para o empregador e quando cada modalidade faz sentido
O aviso trabalhado custa o salário normal; o indenizado custa o equivalente a até 90 dias de salário

Aviso prévio trabalhado

A babá continua trabalhando normalmente durante o período do aviso. Tem direito a redução de jornada (veremos adiante) e recebe o salário normal do período. O ponto crucial: a babá só pode trabalhar no máximo 30 dias de aviso. Se o aviso proporcional dela é de 42 dias, os 12 dias excedentes são obrigatoriamente indenizados.

Na prática, funciona assim: o empregador comunica a demissão, a babá trabalha os próximos 30 dias com jornada reduzida e os 12 dias adicionais do aviso proporcional são pagos em dinheiro junto com as demais verbas rescisórias.

Aviso prévio indenizado

O empregador dispensa a babá imediatamente e paga o valor do salário correspondente ao período total do aviso prévio. A babá não trabalha nem um dia a mais. O valor é calculado sobre o salário integral — todos os dias do aviso proporcional, de 30 até 90.

Quando faz sentido? Quando a relação está desgastada, quando a família já tem substituta ou quando a presença da babá durante o aviso pode ser constrangedora para ambos os lados. Financeiramente custa mais. Operacionalmente, é mais limpo.

Cálculo do aviso prévio proporcional

A fórmula é direta: 30 dias de base + 3 dias por ano completo de serviço, até o teto de 90 dias. O acréscimo de 3 dias começa a contar a partir do primeiro ano completo — essa é a interpretação consolidada pelo TST. Uma babá que trabalhou exatamente 1 ano tem direito a 33 dias. Uma que trabalhou 1 ano e 11 meses também tem 33 dias (apenas 1 ano completo conta).

Tabela de aviso prévio proporcional: dias de aviso e valor em reais para cada faixa de tempo de serviço, de 1 a 21 anos, com base no salário mínimo de R$ 1.621 em 2026
Cada ano a mais de serviço acrescenta 3 dias ao aviso — e o custo sobe proporcionalmente

Como fazer a conta na prática

O cálculo tem dois passos:

Passo 1 — Total de dias: 30 + (anos completos × 3) = dias de aviso prévio

Passo 2 — Valor em reais: (salário mensal ÷ 30) × dias de aviso = valor do aviso prévio

Vamos a dois exemplos concretos com o salário mínimo de 2026 (R$ 1.621):

Exemplo 1 — Babá com 3 anos de serviço:

  • Dias: 30 + (3 × 3) = 39 dias
  • Valor diário: R$ 1.621 ÷ 30 = R$ 54,03
  • Aviso prévio: R$ 54,03 × 39 = R$ 2.107,30

Exemplo 2 — Babá com 8 anos de serviço:

  • Dias: 30 + (8 × 3) = 54 dias
  • Valor diário: R$ 1.621 ÷ 30 = R$ 54,03
  • Aviso prévio: R$ 54,03 × 54 = R$ 2.917,80

Se a babá ganha acima do mínimo — por exemplo, R$ 2.500 em São Paulo (acima do piso estadual de SP de R$ 1.804) — o aviso prévio proporcional sobe junto. Para 5 anos: R$ 2.500 ÷ 30 × 45 = R$ 3.750,00. Use a calculadora de rescisão para simular seu cenário.

Redução de jornada no aviso trabalhado

Quando a babá cumpre aviso prévio trabalhado por iniciativa do empregador, ela tem direito a uma redução de jornada. A LC 150/2015 prevê duas opções, e a escolha é da babá:

Opção 1 — Redução de 2 horas por dia: Durante os 30 dias de aviso trabalhado, a babá entra 2 horas mais tarde ou sai 2 horas mais cedo, sem nenhum desconto no salário. Se a jornada era das 8h às 17h, passa a ser das 10h às 17h ou das 8h às 15h. A ideia é dar tempo para ela procurar outro emprego.

Opção 2 — 7 dias corridos de folga: Em vez de reduzir 2 horas todo dia, a babá pode optar por folgar os últimos 7 dias corridos do aviso. Trabalha 23 dias e descansa os 7 finais, com salário integral.

Duas observações que muita gente ignora:

  1. A escolha é da babá, não do empregador. Você não pode obrigá-la a reduzir 2 horas se ela prefere os 7 dias corridos. A lei é clara.

  2. Essa redução só vale quando a demissão parte do empregador. Se a babá pediu demissão, ela não tem direito a nenhuma redução — o entendimento é que ela já encontrou (ou está buscando) recolocação por iniciativa própria.

Quem paga quem em cada cenário

Essa é a parte que confunde mais gente. O aviso prévio muda completamente de direção dependendo de quem toma a iniciativa do desligamento.

Cenário 1 — Empregador demite a babá (sem justa causa)

O empregador tem duas opções:

  • Aviso trabalhado: a babá trabalha até 30 dias com redução de jornada. O excedente proporcional (se houver) é pago em dinheiro.
  • Aviso indenizado: o empregador paga o valor integral do aviso proporcional e a babá sai imediatamente.

Em ambos os casos, o custo é do empregador. O aviso prévio proporcional (30 + 3 por ano) se aplica integralmente. O período do aviso, mesmo quando indenizado, conta como tempo de serviço para cálculo de férias, 13º e FGTS.

Cenário 2 — Babá pede demissão

Quando a babá decide sair, a regra muda:

  • O aviso prévio é de 30 dias fixos — sem proporcionalidade. Não importa se ela trabalhou 10 anos. O acréscimo de 3 dias por ano é um direito do empregado, não do empregador.
  • A babá deve cumprir os 30 dias trabalhando normalmente.
  • Se a babá não quiser cumprir o aviso, o empregador pode descontar o valor equivalente (1 mês de salário) das verbas rescisórias. Artigo 23, §4º da LC 150/2015.
  • Se o empregador dispensar o cumprimento do aviso, nada é descontado. A dispensa precisa ser por escrito.

Na ponta do lápis: se a babá ganha R$ 1.621 e pede demissão sem cumprir o aviso, o empregador desconta R$ 1.621 da rescisão. Se a rescisão dela era de R$ 3.500, ela recebe R$ 1.879.

Cenário 3 — Demissão por justa causa

Não há aviso prévio. Nem de um lado, nem do outro. A justa causa (art. 27 da LC 150/2015) encerra o contrato imediatamente, sem período de transição.

Como registrar o aviso prévio no eSocial

O eSocial exige que o aviso prévio seja registrado formalmente antes do desligamento. O evento é o S-2250 (Aviso Prévio). O caminho no portal do empregador doméstico:

  1. Acesse o eSocial Doméstico e vá em Trabalhador → Rescisões → Avisos Prévios
  2. Informe o tipo de aviso: trabalhado ou indenizado
  3. Informe a data do aviso e a data prevista de desligamento
  4. O sistema vai gerar o evento S-2250

Depois de cumprido ou expirado o aviso, você registra o desligamento propriamente dito (evento S-2299), informando as verbas rescisórias. O prazo é de 10 dias corridos após o término do contrato.

O sistema não calcula o aviso proporcional automaticamente. Você precisa fazer a conta (30 + 3 por ano) e informar o valor correto. Errou? A DAE sai com valor errado, e o problema vira seu.

Três detalhes operacionais que muita gente descobre tarde:

  • O aviso trabalhado deve ser registrado antes do início do período — não no dia do desligamento
  • O aviso indenizado pode ser registrado no mesmo dia do desligamento
  • Se o aviso for trabalhado e a babá faltar sem justificativa durante o período, os dias faltados podem ser descontados da rescisão

5 erros que geram processo trabalhista

Depois de explicar as regras, vamos aos erros que mais aparecem na Justiça do Trabalho envolvendo aviso prévio de domésticas:

1. Não pagar o aviso proporcional

O erro mais comum. A família demite a babá, paga 30 dias de aviso e ignora os dias adicionais por tempo de serviço. Uma babá com 7 anos de casa tem direito a 48 dias — pagar só 30 é pagar 18 dias a menos. Na Justiça, isso vem com juros e correção.

2. Exigir trabalho durante o aviso proporcional acima de 30 dias

A babá só é obrigada a trabalhar, no máximo, 30 dias de aviso. Os dias excedentes do proporcional são obrigatoriamente indenizados. Obrigar a babá a trabalhar 42 ou 50 dias é ilegal.

3. Negar a redução de jornada

A babá tem direito a 2 horas a menos por dia ou 7 dias de folga. Se o empregador ignora esse direito e exige jornada integral durante o aviso trabalhado, a babá pode alegar nulidade do aviso. Resultado: como se o aviso não tivesse existido — o empregador paga tudo de novo, indenizado.

4. Não registrar no eSocial antes do desligamento

O aviso precisa ser lançado como evento S-2250. Registrar só o desligamento (S-2299) sem o aviso é inconsistência no sistema. Pode gerar pendências na guia DAE e dificultar o acesso da babá ao seguro-desemprego.

5. Descontar aviso quando a babá pede demissão sem autorização legal

O empregador só pode descontar o aviso não cumprido das verbas rescisórias — e precisa registrar isso corretamente no eSocial. Descontar mais do que o permitido, ou descontar sem justificativa formal, é risco de reversão judicial.

Perguntas frequentes sobre aviso prévio da babá

O aviso prévio conta como tempo de serviço? Conta. Mesmo quando indenizado, o período do aviso é integrado ao tempo de serviço para todos os efeitos: férias proporcionais, 13º proporcional, FGTS (8% + 3,2% compensatório). Se o aviso indenizado é de 42 dias, a babá “ganha” 42 dias extras no cálculo das verbas.

A babá pode ser demitida durante o aviso prévio? Se o aviso foi dado pelo empregador, ele já está demitindo — o aviso é o próprio ato de demissão. Se a babá cometeu falta grave durante o aviso trabalhado, o empregador pode converter para justa causa (art. 27 da LC 150/2015), e a babá perde o restante das verbas.

Babá grávida tem direito a aviso prévio especial? Babá grávida tem estabilidade provisória — não pode ser demitida desde a confirmação da gravidez até 5 meses após o parto. Se o empregador demitir mesmo assim, terá que reintegrar a babá ou pagar indenização equivalente a todo o período de estabilidade. O aviso prévio, nesse caso, é a menor das preocupações.

O que acontece se não pagar o aviso no prazo? O prazo para quitar todas as verbas rescisórias — incluindo o aviso prévio indenizado — é de 10 dias corridos após o fim do contrato. Passou do prazo, o empregador paga multa de 1 salário da babá (art. 477 da CLT, aplicável por força da LC 150/2015), além de juros e correção monetária.

Posso combinar aviso prévio trabalhado e indenizado? Pode e, na verdade, é o cenário mais comum. A babá trabalha 30 dias (com redução de jornada) e os dias excedentes do proporcional são pagos como indenização. Não existe obrigação de escolher um ou outro integralmente.

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